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6.10.05
Apertando a mão do diabo. Roméo Dallaire era o chefe das forças da ONU em Ruanda em 1994 (em "Hotel Ruanda" ele é representado por Nick Nolte). O filme acompanha a viagem de Roméo à Ruanda, dez anos depois. Eu esperava tanto deste filme que me decepcionei um pouco. Mas ainda assim, é um documentário que vale a pena e deve ser visto, por todos os motivos que vocês vão ler por aí. O diretor levanta a assume claramente a acusação aos países europeus e aos EUA por terem criado os conflitos (belgas), trabalhado diplomaticamente a favor do governo quando já sabiam dos planos do massacre (franceses), se omitido durante e após o massacre, alegando não ter conhecimento suficiente da situação e, quando já era tarde demais, abandonado literalmente os ruandenses à própria sorte, sabendo que seriam mortos. No último caso está uma das melhores cenas do filme: ruandenses implorando por ajuda a soldados e cidadãos europeus enquanto estes fugiam do país às pressas.
Mas como é um filme mais sobre a atuação dos brancos do primeiro mundo do que sobre Ruanda, fica faltando uma análise mais profunda das origens do conflito e, principalmente, de suas consequências. E Roméo Dallaire - que voltou de Ruanda sofrendo de depressão e estresse pós-traumático, abandonou as forças armadas e atualmente é senador no Canadá - tem um olhar muito externo, e discute com base em argumentos como "mal absoluto" (o diabo do título) e "paraíso". E a gente fica o tempo todo esperando ele falar do "bom selvagem".
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